Um coquetel clássico não é complicado. É preciso. Para Xandão Loureiro, mixologista do Cabernet Butiquim em Belo Horizonte, a resposta é simples: ingredientes bons, medidas certas, respeito ao tempo. “Sem isso, o sabor se perde — e com ele, a história também”, afirma.
Desde 1806, quando surgiu o primeiro “cocktail” (destilado, açúcar, água e bitters), a coquetelaria funciona assim: técnica limpa + história real = bebida que dura gerações. Eis alguns exemplos.
Cinco receitas que não mudam há décadas (e por uma boa razão)
Fitzgerald: quando o limão siciliano faz toda diferença
Criado por Dale DeGroff nos anos 1990, é só gin, limão fresco, xarope simples e bitters. Simples? Sim. Fácil? Não. O nome homenageia F. Scott Fitzgerald, e aquele limão siciliano fresco muda tudo. Um tempo a mais no gelo e a coisa pode desandar.
Dry Martini: o debate que persiste há mais de um século
Nenhum drinque é mais associado a elegância: gin seco, vermute seco, proporção exata, gelado, azeitonas. Churchill, Hemingway, James Bond — todos bebiam Martini. O debate “shaken or stirred” existe porque importa mesmo. Pequenas diferenças modificam a textura.
Bloody Mary: a receita polêmica que virou clássico
Nasceu em Paris, nos anos 1920, no Harry’s New York Bar. Vodca, suco de tomate, molho inglês, pimenta. Simples, mas exige tempo e precisão. No Cabernet, Xandão Loureiro o trata como experiência gastronômica — aquele ponto de picância que transforma tudo.
Mai Tai: nostalgia líquida de uma era que sonhava com ilhas
Victor “Trader Vic” Bergeron criou em 1944: rum jamaicano, Curaçao, orgeat e limão-taiti. Dois amigos taitianos provaram e exclamaram “Mai tai roa ae!” (excelente). Desde então, é pura nostalgia — aquele desejo de estar em outro lugar, mesmo que por alguns minutos.
Boulevardier: o whiskey que sussurrou em francês
Erskine Gwynne, editor americano em Paris, substituiu o gin do Negroni por bourbon. Campari, vermute rosso, whiskey. É francês, contemplativo, quente. Pede tempo, silêncio, bom papo de balcão. Não é para apressar.
A maestria começa quando você domina o óbvio
A verdade é: você só cria bem quando domina o clássico. Em tempos de misturas rápidas e modas que duram 3 meses, os clássicos ensinam paciência, precisão e prazer genuíno. Um bom coquetel é como uma boa história: tem começo, meio e fim. Quando você entende que está bebendo história, tudo muda. O sabor ganha contexto.
No Cabernet Butiquim, essa conversa entre clássico e autoral é viva. Não há tensão — há diálogo. Xandão Loureiro respeita a tradição porque sabe que foi ali que tudo começou.
Serviço
CABERNET BUTIQUIM
Horários:
Terça a quinta: 11h30 às 23h30
Sexta e sábado: 11h30 às 23h30
Domingo: 11h30 às 16h
Reservas: Clique aqui para enviar mensagem via WhatsApp (31) 98447-410
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