O Dia do Sushi, celebrado em 1º de novembro, é o pretexto perfeito para repensar um detalhe que quase ninguém considera à mesa: a sequência de degustação. No Kanpai, em Belo Horizonte, a recomendação é começar pelos sabores mais suaves e avançar para os mais intensos, respeitando as texturas e limpando o paladar entre as etapas.
Para aproveitar melhor o rodízio japonês, comece pelos sashimis sem molho, siga para os niguiris, depois para as peças com coberturas, e deixe para o final os preparos cremosos, adocicados e picantes. Entre cada etapa, mastigue um pouco de gari para limpar o paladar.
Por que a ordem importa tanto?
A ordem da degustação ajuda a perceber melhor as características de cada ingrediente. Conforme explica Adair Silva, do Kanpai, ao começar pelos sabores mais suaves e avançar para os mais intensos, é possível identificar nuances que passariam despercebidas se as peças fossem alternadas sem critério.
A lógica é simples: o paladar satura. Por isso, um sashimi de atum apreciado depois de uma peça com sriracha nunca será o mesmo. Ou seja, a sequência funciona como um roteiro — e não como uma regra rígida.
Achados de viagem
Como montar a sequência ideal de degustação
A sugestão do Kanpai organiza a refeição em quatro momentos, do mais delicado ao mais marcante. Cada etapa prepara o paladar para a próxima, o que valoriza tanto o peixe quanto os temperos.
1. Sashimis puros, sem molho
Uma boa pedida é iniciar pelos sashimis de atum e salmão, servidos sem molhos ou coberturas. Nessa primeira etapa, a atenção se volta ao sabor natural, à textura e à presença de gordura dos pescados, características que variam conforme o peixe e o corte utilizado.
2. Niguiris, para entender a base
Em seguida, vale apostar nos niguiris com os mesmos pescados sobre o arroz temperado. A mudança não representa necessariamente um aumento de intensidade, mas permite observar como o tempero, a textura dos grãos e a proporção entre arroz e peixe influenciam cada mordida.
3. Coberturas e texturas
Com essa referência dos ingredientes, é possível avançar para receitas em que molhos e coberturas ganham espaço. No Sake Kanpai, o carpaccio de salmão recebe molho shari, azeite e lemon pepper. Experimentá-lo depois das versões mais simples permite perceber o que cada tempero acrescenta ao pescado.
As ovas e os tartares ampliam essa exploração, principalmente pelas diferenças de textura. O uramaki de salmão com massago traz pequenas ovas na finalização, enquanto o Gunkan Massago combina salmão, tartar do mesmo peixe e ovas. Já o Uramaki Sake Tako recebe uma cobertura de tartar de polvo.
4. Cremosos, doces e picantes
Para a parte final, podem ficar os preparos que reúnem ingredientes cremosos, molhos adocicados e pimenta. É o caso do Kubo Kanpai, feito com cubos de salmão maçaricados, cream cheese, crispy de batata-doce e geleia artesanal de pimenta.
O Ebi Kanpai oferece outra possibilidade, com camarão e cream cheese envoltos em salmão, maçaricado e finalizado com teriyaki e sriracha. As peças com haddock defumado também entram nesse momento, por conta da intensidade do sabor defumado, mesmo sem a presença de coberturas.
Gari, wasabi e shoyu: como usar do jeito certo
Entre cada momento, vale mastigar um pouco do gari, o gengibre laminado em conserva que sempre acompanha as peças. A função do preparo é limpar o paladar e preparar a boca para receber o próximo prato.
Já o wasabi deve ser usado conforme a preferência de cada pessoa, sem necessidade de misturá-lo automaticamente ao shoyu. A maneira de consumir cada peça completa esse cuidado: quando o tamanho permitir, levar o sushi inteiro à boca ajuda a preservar a proporção entre arroz, pescado e finalizações.
Nos niguiris, um toque de shoyu no peixe evita encharcar os grãos e sobrepor o molho à receita. Peças que já chegam temperadas podem ser experimentadas antes de receber outros condimentos, porque isso revela a proposta do preparo antes de qualquer interferência.
Vale a pena seguir esse roteiro?
A regra de ouro é a liberdade. Conforme orienta Adair Silva, não existe uma única maneira de aproveitar o sushi, porque o gosto pessoal também faz parte da experiência. A sugestão é provar a peça como ela chega à mesa e, depois, ajustar os acompanhamentos se sentir necessidade.
Para quem costuma pedir um rodízio variado, a sequência traz ganhos reais: ela ajuda a identificar nuances dos pescados, a perceber contrastes de textura e a equilibrar a intensidade dos temperos. Dessa forma, a refeição deixa de ser uma sucessão aleatória de peças, o que é bem diferente de comer bem.
Resumo rápido
- Data: Dia do Sushi, 1º de novembro
- Ordem sugerida: sashimi → niguiri → carpaccio/ovas/tartar → cremosos, adocicados e defumados
- Entre as etapas: mastigue gari para limpar o paladar
- Wasabi: use conforme a preferência, sem misturar automaticamente ao shoyu
- Shoyu: no niguiri, molhe apenas o peixe
- Onde: Kanpai, em Belo Horizonte (MG)
Serviço
Kanpai
Endereço: Rua Tomaz Gonzaga, 388 – Lourdes – Belo Horizonte (MG)
Almoço: sábado e domingo, das 12h às 16h
Jantar: domingo a quarta, das 18h às 23h; quinta a sábado, das 18h às 00h
Instagram: @kanpaibh
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